sexta-feira, 19 de junho de 2015

Meus defeitos, ou alguns deles.


Eu confesso, tenho mil defeitos. Sou teimosa, chata pra caramba e acho que sempre tenho razão. E mesmo admitindo ainda acho que tenho razão. Mas não quero ganhar nada com isso, quero mostrar a realidade que eu enxergo, quero ensinar que nada é de verdade se não houver sinceridade, que dá pra vencer sem passar por cima do outro e que tem várias maneiras de ganhar um jogo sem contar mentiras.

Confesso que tenho defeitos e que às vezes nem eu sei lidar com eles, por isso aprendi a pedir perdão. E não me importo se alguém não me perdoar, eu aprendi a ter gratidão. Mas não vou negar que tenho uma lista de nomes de quem deve perdão a mim, pois sei exatamente as atitudes que não me convém e tenho um orgulho suficiente para não fazer papel de trouxa. 

Confesso que sou debochada mesmo levando a vida bem a sério. É que para sair do tédio é preciso carregar algumas risadas no bolso. É tanto assunto formal, é tanta simpatia forçada, interesses disfarçados de preocupações exageradas, piadas de mau gosto. É tanta gente falando da vida do outro e plantando futilidades que confesso não ter paciência pra tudo isso. E confesso não ter paciência para outras coisas também. 

Confesso que sou sentida, que facilmente me derreto e me chateio fácil. Mas tento me conter e confesso que estou praticando para não ser tanto assim. Mas tenho muitas habilidades que adquiri ao longo da vida, ser calculista por exemplo é uma delas. Sei calcular a frequência de quem entra, a distancia que se mantém e a probabilidade de quem vai ficar. Com isso ganho mais espaço e poupo meu tempo.


Maíra Cintra

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Singular



Eu não sou poeta meu bem. Eu apenas dou vida as minhas palavras. Dou sentido ao que sinto. Faço silêncio nos meus barulhos. É meu protesto, é minha ira, é meu conforto, é minha morada. É onde eu me escondo de tudo que eu penso. É a minha melhor viagem. Às vezes tão longe e outras tão perto. Transformo alguns lugares os melhores do mundo. É onde eu esqueço de mim para descobrir quem eu realmente sou.

Posso ser quem eu quiser em apenas cinco palavras. Faço de um pequeno espaço um abrigo enorme para que meus pensamentos se ajeitem da melhor forma. Dou forma as coisas que se diluíram. Dou tempo ao que se anda depressa demais. É a minha calmaria em época de distúrbios. Não faço apenas por vontade, faço porque há uma força maior que isso e que as minhas próprias palavras não conseguem definir.   

Não existe quem tire essa minha inquietação, essa minha obsessão por mim mesma. É tão singular essa minha maneira de me manter viva e não consigo imaginar como eu seria se eu fosse do jeito que as pessoas me enxergam. E não existe quem me tire daqui, sou minha própria refém e não há lugar melhor do que me prender dentro de mim.

Maíra Cintra

segunda-feira, 30 de março de 2015

Querido amigo,



Meu querido novo amigo, gostaria de te dizer que não foi fácil chegar aqui. Quebrei a cara várias vezes, quebrei o coração várias vezes e quebrei a cabeça várias vezes tentando descobrir se era verdade ou se tudo não passava de mais uma nova mentira. Não sei se já consegui colar todos os pedaços, mas ainda está dando pra levar dessa forma . Não foi fácil depositar confiança nas pessoas e esperar delas promessas que ninguém nunca soube cumprir. Não foi fácil ouvir e ler julgamentos acompanhados de mentiras e olhares cínicos da minha pequena cidade cheia de pessoas a espera de sua caída, com bocas entupidas de mentiras e ocupando suas horas dos dias falando da vida alheia. Não foi fácil admitir que fui traída e que ao mesmo tempo estava sendo ameaçada e torturada psicologicamente pela mesma pessoa.

Amigo, é tudo muito contraditório e confuso aqui dentro e às vezes não sei lidar com o mundo aqui fora. O que tenho pra dizer é que eu sou sincera e sem medos, por isso quero te contar muitas coisas. Lidei com pessoas loucas que nunca souberam o valor do significado respeito e sabe o que eu aprendi com elas? Que podemos ter um sentimento de pena de quem nos deseja o mal. Lidei com pessoas falsas e sabe o que aprendi com elas? A não ser como elas. Lidei com pessoas mentirosas e sabe o que aprendi com elas? A valorizar a verdade. Nesse tempo também conheci pessoas maravilhosas, que mesmo permanecendo por pouco tempo me ensinaram que o tempo não quer dizer nada, o grande valor está na intensidade e na forma como as coisas acontecem. Não sei por quanto tempo você vai ficar, mas espero que tire muitas coisas boas daqui.

Eu sou simples, não faço questão de nada muito além do que eu posso. Tenho meus limites e aprendi a respeitá-los. Não costumo pedir, nem exigir e muito menos implorar algo a alguém. Sabe amigo, eu dou valor nas atitudes, palavras são como pássaros, elas tem sua beleza instantânea mas depois voam pra longe e não costumam voltar. Também não sei dizer adeus direito, eu posso desaparecer do nada, mas nunca me esqueço de quem um dia me fez sorrir. Não se assuste, isso não é uma exigência, mas gosto de me explicar, de colocar o pingo nos Is e deixar claro para não me arrepender e me sentir culpada achando que faltou alguma parte de mim. 

Sabe amigo, eu fui boazinha. Muitas pessoas não me deram oportunidade de mostrar quem eu realmente era. Sim, era. Eu mudei amigo. Mas não quero falar sobre isso agora, o que eu quero te dizer é que embora eu ainda não sei absolutamente nada da sua vida, se foi tão difícil quanto a minha ou não, queria deixar claro que eu não sei esperar. Eu não tenho paciência nenhuma com pessoas que tem paciência. Eu tenho pressa. Não gosto de ficar afastada do mundo real e de me isolar da vida. Eu gosto de encarar a realidade. Aprendi que o medo está na antecipação que damos as coisas e que pessoas não são coisas para serem descartadas do nada. Por isso amigo, quero que saiba que você sempre  terá seu valor e um lugarzinho dentro de mim, mas eu também me canso e quando isso acontece eu não costumo avisar, eu simplesmente vou embora sem saber se vou voltar.

Maíra Cintra

quarta-feira, 11 de março de 2015

Momentos são como bagagens.


E aquele momento ruim que parecia uma eternidade, passou num piscar de olhos, assim como tantos outros que se passaram e outros que ainda virão. A gente sofre tanto, quebra o enfeite do quarto, desarruma a cama, molha o travesseiro, perde até uma prova por quem é incapaz de pedir perdão e de admitir o próprio erro de tão orgulhoso que se torna um sentimento. No outro dia a gente acorda com a cara inchada, se olha no espelho e se sente a pior pessoa da face da terra. E sem ao menos perceber conseguem fazer você se sentir a pessoa mais culpada da história. A ficha demora mas cai, um dia ela cai de vez e nunca mais volta.

E esses momentos nos tornam mais fortes. É impossível não aprender que algumas coisas não merecem seu cabelo bagunçado, sua maquiagem borrada e nem uma noite em claro. Algumas bombas vem de quem menos esperamos e é justamente aí que vem o baque. Aquela hora em que a gente se assusta e se pergunta "o que é que eu fiz?". Um conselho: Não se questione tanto, apenas tente compreender. Se você não sabe o que fez então você não fez nada. Aquele que faz guerra sem seu inimigo em ataque gosta de se sobressair em tudo e ainda diz que foi o vencedor.

Mas muitos momentos bons virão e eles compensarão todos os ruins. Daí você descobre que o "amanhã" é a base da sua fé e que nada foi em vão. Que nem tudo que plantamos colhemos e que nem todo amor compartilhado se recebe de volta.  Nos sentimos aliviada só de pensar que "era bobagem" e descobre que a coragem já fazia parte de você. Mas ainda sim, queria deixar claro que pulso firme não é sinal de força mas de postura e que o silêncio não é sinal de fraqueza, mas sim de inteligência. Onde pouco se fala, muito se sabe.

Momentos são como bagagens. É você quem escolhe se vai ser leve ou pesado e o que vai carregar pra sempre. 


Maíra Cintra

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Cada um carrega aquilo que acha necessário


Já me peguei várias vezes procurando respostas para as minhas próprias perguntas, uma delas é achar um motivo sensato das pessoas guardam tanto rancor uma das outras. Já olhei milhares de vezes para trás procurando um motivo que fosse realmente sério, concreto ou lúcido para aceitar a raiva que "certas" pessoas sentem. São ressentimentos jogados pra cima e esparramados como água. Só se molha quem quer, os mais fortes se protegem com a própria paz.

Aprendi ao longo da vida que cada um carrega aquilo que acha necessário, o que te preenche ou o que te completa de alguma forma. Sendo bom ou mal, pesado ou leve, cada um escolhe aquilo que deseja guardar dentro de si. As consequências vão aparecendo no meio do caminho em formas de plantas que foram germinadas por suas próprias sementes.

"O ressentimento é como um cortiço, onde vive muita gente apertada que não tem o céu". Se amontoam em cima uma das outras tentando proteger da falta de paz que as afligem. São pessoas que sofrem, mas escondem. Que sentem inveja, mas não admitem e que por algum motivo não estão satisfeitas consigo mesmas e escolhem diminuir outras para se sentirem superiores.

Não sou fã de ataques estéricos e muito menos de sensacionalismo barato, onde a platéia é o seu próprio reflexo e os aplaudem sentados. Assim, nesse mar de hipocrisia cada um oferece aquilo que tem e escolhe aquilo que lhe convém. Nada me surpreende mais do que me deparar com a sinceridade e com a verdade que estão em extinção e se reproduzem devagar no meio de mentiras ensaiadas e de sorrisos forçados. E quem é vitima sabe, mas não demonstra, usa o silêncio ao seu favor e não se atinge com pouca coisa. Acredito que amaduremos com os danos e não com os anos, e quem mais apanha é o que sai mais forte de uma batalha.  

Maíra Cintra