sábado, 29 de março de 2014

Me vingo sendo feliz.

Acaricio a vida com os olhos, tudo o que for bonito até o que tem de mais feio. As diferenças me fazem perceber como o mundo é injusto e ao mesmo tempo tão perfeito. Reparo nos detalhes, onde quase ninguém chega, aquilo que quase ninguém vê. Mas sou dura, sou firme e ao mesmo tempo me derreto em pensamentos doces que somente eu posso entender. 
Não me acho muito digna de elogios, nem sei me comportar diante deles. Mas não sou nenhum pouco daquilo que falam e querem que eu seja diante dos olhos de quem não me conhece. Esse mundo é vasto demais para falar das coisas e pessoas com pura convicção. Gosto do mistério que me rodeia, acho lindo não saber de tudo, de não conhecer todas as coisas e ter uma imaginação que vai além daquilo do que realmente é, de me fantasiar de coisas boas e com aquilo que não existe.
Vez ou outra caio no amargo convívio diário, outras vezes sou totalmente fácil de se entender. Mas existem momentos em que é preciso aproveitar a maldade que o mundo nos oferece de graça. Mas ainda sim, sou delicada demais para cometar qualquer tipo de agressão física e psicológica, a minha maior vingança está nas minhas entrelinhas. Me vingo sendo feliz e tenho certeza que mato muita gente por aí. 

Maíra Cintra

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Com o tempo eu aprendi.


Apesar da pressa eu respeito o tempo e mantenho a calma na espera das coisas. Sem querer crio algumas expectativas e com isso só aprendi que a vida nem sempre vai acontecer do jeito que eu quero. Caí várias vezes achando que não conseguiria levantar, levantei várias vezes achando que nunca mais iria cair. A vida foi dando voltas e a cada lugar por onde eu passava aprendi coisas diferentes. Aprendi a não guardar mágoas, mas que livrar de algumas pessoas é necessário para continuar a vida. Aprendi que a maldade está na boca de quem não quer nos ver bem e principalmente aprendi a não absorver isso. Aprendi que a sorte não depende do tempo, mas do que está predestinado a acontecer. Conheci muitas pessoas, umas com conteúdo e outras nem tanto, mas aprendi a respeitar cada uma delas. Aprendi a não julgar sem antes tentar entender a razão do outro. Fui adotada por pessoas maravilhosas, muitas vezes me senti em casa sem estar na minha própria casa. Aprendi a usar meus próprios erros ao meu favor e a importância de cometer erros novos. Aprendi que as pessoas esquecem rápido e foi dessa maneira que aprendi isso também. Aprendi que a saudade torna a presença mais gostosa e que a distância prova quem realmente está por perto. Aprendi que amor é muito mais que sentimento e que carinho vai além das palavras. Aprendi a respeitar as minhas vontades e a dizer "não" quando a minha consciência fala mais alto. Aprendi que ignorar certas atitudes é necessário para o ego e a não me iludir com palavras bonitas. Aprendi que a felicidade verdadeira é aquela baixinha e que a prece mais atendida é aquela que você faz em silêncio. E depois de tudo, aprendi que para aprender tudo isso é preciso perder o medo com o que vem pela frente. 

Maíra Cintra

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Vinte e tantos anos e seus começos.

Nunca pensei tanto em como começar um texto. Talvez seja esse o motivo de não saber por onde começar outras coisas que eu busco em minha vida. Me sinto tão confusa em relação a isso que acabo me perdendo entre os começos, meios e fins. Desaprendi a conjugar o verbo relacionar, já não sei mais como se conquista alguém. Acho que esse meu jeito durona de ser espanta quem vai chegando devagar. Não é fácil ser essa estranha que lava um mundo nas costas e sabe compartilhar de uma maneira mais estranha ainda o que realmente sente. 
Sou tudo o que esses meus vinte e tantos anos me fizeram ser. Já cheguei a pensar que sabia tudo da vida, hoje apenas carrego as minhas razões. Minha coleção de erros faz com que eu tome algumas decisões, nem sempre as mais fáceis, mas de todas as mais sensatas. E foi exatamente assim que fui construindo o meu caráter, dando formato a minha essência, clareando as minhas certezas e definindo a minha ideologia. Aprendi a dar importância nas opiniões contrárias e foi exatamente assim que descobri que a verdade é apenas um ponto de vista.
Algumas coisas já não faziam mais sentido então, resolvi procurar algum sentido para minha vida. Fui tentar mudar, procurar os pedaços que se encaixavam onde já não tinha mais nada. E eu juro, não sabia o tamanho da responsabilidade que me esperava. Fui justa, fui burra e fui cega. Foi difícil carregar um peso enorme nas costas enquanto o mundo me apontava o dedo, me crucificava, me ignorava e ainda tirava um tempo para rirem da minha cara. Mas fui forte, fui eu. Ali no meu espaço sem incomodar ninguém eu estava sempre de pé, cabeça erguida e um sorriso enorme no rosto. Com isso aprendi a transformar toda negatividade em fortaleza. 
Já me interessei por caras sem conteúdo. Já disse eu te amo por dizer. Já acreditei que seria para sempre. Já me entreguei a promessas absurdas porque simplesmente não sabia a verdadeira necessidade de mentir. Foi então que aprendi a mentir. De copo em copo fui afogando saudades, bebendo vazios e me preenchendo de realidades. Tentei me apoiar em quem não me dava apoio. Gritei por socorro mas não me deram ouvidos, foi então que fechei os olhos e decidi seguir na escuridão, sozinha, sentindo somente os meus pés no chão e minha alma flutuar. Foi então que comecei a voar e me viciei. E depois de tudo a moça de seus vinte e tantos anos descobriu que para voar é preciso primeiramente aprender a cair.

Maíra Cintra

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Venho por meio desta.

Venho por meio desta deixar os meus sinceros agradecimentos a este ano que está se acabando e comunicar o quanto ele me ensinou a ser forte diante das minhas fraquezas, como se enxerga as mentiras disfarçadas de verdade, como não desistir no meio de tantos problemas, como encarar um dia difícil e sorrir no dia seguinte. Venho agradecer as novas pessoas que colocou no meu caminho, as que tirou por incompatibilidade de caráter e dizer o quanto aprendi a não ser como elas. Estou grata pelas dificuldades ultrapassadas e preparada para encarar outras no ano que vem. Venho agradecer pela pessoa que me fez tornar e dizer o quanto tenho que melhorar. 
Eu admito que no começo me culpei absurdamente pelas coisas que desperdicei e resolvi correr atrás do prejuízo, mas de alguma forma eu acabei ganhando em cima disso. Descobri que não seria necessário me doer tanto e aprendi a me doar mesmo tendo pouco. Mas foi absurda a forma como tive que lidar com a minha coragem achando que eu não tinha nenhum pingo dela, até que de alguma forma pude perceber o quanto tirei dela para crescer e sobreviver. Que essa história de viver um dia de cada vez não fazia-me sentido até achar um sentido para viver.
É com uma enorme esperança no peito que venho novamente agradecer a este ano e desejar boas vindas ao próximo. É absurdamente infinita a vontade que sinto de fazer tudo dar certo depois do dia 31 de dezembro e de fazer milhões de coisas ao mesmo tempo. De ficar livre das minhas obrigações e de mostrar tudo que aprendi. Um desespero incabível de me divertir, de me entregar, de me profissionalizar, de alimentar meu ego, minha alma e meu cérebro. É com um sorriso no rosto e uma alegria enorme que venho informar, que estou falando sério, não estou aqui para brincar. 

Maíra Cintra

terça-feira, 29 de outubro de 2013

É do alto que eu vejo o verdadeiro tamanho das coisas.

De qualquer forma não me importo mais. Mesmo me desequilibrando e caindo algumas vezes, eu sempre sei como devo levantar. Não é sempre que tenho razão, eu sei, mas também sei quando tenho e como devo usar. Julgamentos nem sempre são bem vindos, mas se o meu silêncio falar mais alto que a minha vontade de gritar, será porque as minhas palavras são mais caras que tudo isso. Não costumo responder algumas questões baratas, também não cobro conselhos. Escrevo de graça. Qualquer outra coisa que me sai caro, deixo que o tempo pague a conta. Acredito que o mundo além de girar, também vira do avesso e que o destino paga por mim qualquer preço. 
Meu lado espiritual não costuma me enganar. Brinco de ser adivinha e adivinha... costumo acertar. Ainda não aprendi a usar meu sexto sentido, às vezes ele chega em cima da hora, às vezes passa despercebido. Acerto alguns pontos importantes e esqueço de ressaltar outros. Posso descobrir as verdades através das mentiras, posso ler alguns pensamentos através da sintonia. O universo faz questão de me enviar sinais de um jeito até muito gentil, mas é a minha fé que me faz acordar todos os dias disposta a encarar a realidade. Não é fácil admitir certas coisas, mas saber aceitar já é uma grande qualidade. 
Certa vez me disseram que eu era muito fechada, demorei um tempo para admitir isso, foi então que resolvi me abrir como um livro sem números de páginas. Sempre me contentava com meu quarto no meu canto, mas descobri a existência de lugares lindos lá fora. Sentia-me cansada de coisas pequenas, principalmente pessoas. Por ironia do destino, mudei de rumo. Com algumas coisas e poucas roupas, segui meu caminho. Ninguém nunca está satisfeito com o que tem. Eu que sempre quis muito e não sabia, descobri o quanto posso ser melhor a cada dia. Eu que sempre sonhei alto, só aprendi a voar depois de cair vários tombos. E não me importa a altura, quanto mais alto mais longe eu fico dos que me enxergam lá de baixo, tão baixo. Pois é daqui de cima que eu vejo o verdadeiro tamanho das coisas.  

Maíra Cintra