quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Com emoção ou sem emoção?



Com emoção, claro! A vida é feita de riscos, tem que jogar pra cima e se voltar é seu. Se não fossem os erros não teria graça, o aprendizado tem que ser no impulso, no pulsar dos dias que se não forem aproveitados são perdidos em fração de segundos. Quem tem medo das mudanças nunca vai pra frente e quem volta é porque nunca teve a coragem de se libertar do que o acomoda. Acostumar com o que te deixa confortável não é uma garantia. A unica segurança que temos é o momento presente.
É preciso sonhar antes que o dia traga a realidade que cega as nossas vontades. É necessário seguir com cuidado e analisar os passos com atenção para não tropeçar nos degraus. Nenhuma subida é fácil, tem que estar leve para ter a força que tanto precisa.
Mas hoje vou desfazer das preocupações. "Garçom, quero uma dose bem forte de esquecimento e uma de coragem". Vou me embriagar de momentos bons e de novidades. Não me acostumei em me acostumar, nem tempo tenho mais para me cansar. Não quero saber a cura que me levará a lucidez, já não me importo se eu deixar de me importar. 
Sem esconder o que sinto, sempre dizendo o que penso, me ausentando do que não me faz bem, ignorando julgamentos. Vou vivendo assim, sem qualquer tipo de tormento. Já não sei mais remoer coisas pequenas, depois que descobri certas grandezas tudo se tornou mais simples. E antes de eu terminar este texto eu quero dizer (com emoção), que continuarei, sem querer saber o final da história. 

Maíra Cintra

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Descoberta



As horas pingam como uma torneira mal fechada, as noites são como uma enorme sala vazia onde o eco é a única companhia. Há grandes mistérios no viver que ninguém consegue descrever. Tem dias que me sinto como se estivesse em meio a uma multidão de pessoas estranhas em busca das mesmas coisas que eu, mas de uma maneira totalmente oposta da minha. Muito se fala e pouco se escuta. Os interesses movimentam grande parte dessa louca jornada que é a vida. Muitos sentem na obrigação de serem melhores, outros apenas felizes.
Me pego interagindo com coisas que ninguém percebe. Observo cada passo, cada canto, cada olhar e cada gesto. Sou observadora demais para acreditar em qualquer sentimento e desconfiada demais para me apoiar em qualquer verdade. Sou estrategista, não escolho as pessoas a dedo. Não vou contar minha história inteira só porque me afoguei em alguns copos. Guardo segredos que me atormentam e sei que somente eu sei compreendê-los. É tudo tão complicado e confuso aqui dentro que eu vou tentando não me agarrar em outras coisas ainda piores. 
Congelei meus sentimentos dentro de potes lacrados e não sei explicar o que ocasionou tamanha frieza, mas é algo que estou tentando descobrir no momento. Tento lidar com esse excesso de pensamentos, tento controlar cada palavra e atitude. Não é fácil lidar com turbulências do passado e fazer com que o novo não seja da mesma forma. Meus passos são devagar e constantes, mas isso não importa quando você sabe o que quer. E se me perguntarem se eu sinto saudades eu responderei apenas que tudo o que passou me ensinou bastante, mas não trocaria esse momento de renovação por nada, pois a minha vontade é a única coisa que me torna ainda maior e mais forte do que já fui.

Maíra Cintra

domingo, 17 de agosto de 2014

Menina,


Restaura sua calmaria menina. Acomode-se no que já é seu, ajeite seu espaço e seja livre para construir novos sorrisos. Sei que às vezes o mundo parece estar por um fio, que seus sonhos estão prestes a desmoronar, que seus olhos se enchem d'água mesmo os controlando para que não caia essa sua imagem de menina forte. Repare no que há de bonito ao seu redor. Deixe a brisa tocar seu rosto e verá que sem um pingo de esforço você será feliz. Rasgue todas as suas listas. Viva no improviso e não se prenda a compromissos inadiáveis. Não espere pelo incerto, não se acomode em certezas e nem alimente expectativas. Não se frustre à toa, não fique remoendo o passado como se ele fosse te assombrar. Não crie medos, nem roteiros, apenas viva em um cenário onde você tem o direito de escolhas, de mudar as posições e prioridades. Imagine uma cena onde você é capaz e incapaz de desacreditar. Não carregue pesos nem pessoas. Se desapegue do costume de pensar que você depende delas. E por favor menina, não se desespere se o céu escurecer no meio do dia, ele sempre fica mais bonito depois que a tempestade passa. 

Maíra Cintra

domingo, 6 de julho de 2014

Renovação


E de repente tudo se tornou mais leve. Nada mais abala a estrutura da minha vida. Tampei as rachaduras, consertei os trincados, pintei as paredes manchadas e troquei as chaves. Ninguém entra sem bater e só sai quando eu abrir a porta. Todos os meus sonhos estão plantados no jardim, cultivo somente o que embeleza minha alma. Fiz uma faxina, joguei algumas coisas fora, outras se diluíram com o tempo e algumas se perderam no meio da própria bagunça. Renovei os enfeites dos meus sorrisos, mudei os móveis de posição, troquei os lençóis que protegiam a minha paz e aprendi a customizar sentimentos bons. Às vezes eu gosto de olhar pela janela para observar o que acontece lá fora, nas coisas que deixei livres e não voltaram. Reparo nos detalhes, busco a tranquilidade quando percebo o que não me faz falta. Em seguida, ao olhar para o céu eu peço mais espaço para cultivar sementes do bem, mesmo que isso sirva para quem um dia me fez mal. Peço mais calma para chegar e mais delicadeza ao andar. Eu não espero conseguir tudo que desejo, pois aprendi que o que mereço Deus um dia vai me dar. 

Maíra Cintra

terça-feira, 13 de maio de 2014

Das coisas que me cansam.


Cansada dessas coisas miudinhas que me incomodam todos os dias e que mesmo sendo pequenas fazem um estrago enorme dentro mim. Cansada de ser alguém com sentimentos a flor da pele, que mesmo tentando lidar com isso, sente muito. Cansada de a cada decepção esperar de mim uma mudança e saber que muitas vezes é preciso passar várias vezes pela mesma situação para aprender a lidar com isso de verdade. Cansada de me machucar e ter que procurar um remédio para curar a dor, mesma sabendo que algumas coisas não tem remédio. Cansada de saber que certas palavras são feitas de mentiras e não poder dizer o que penso por não ter provas suficientes, mesmo que tendo todas as palavras na ponta da língua. Cansada de ignorar quem me ataca por trás e ter que escutar coisas de quem nunca se interessou em saber sobre as minhas razões. Cansada dessa gente que se faz de vítima, que põe a culpa nos outros e vive como um inocente escondendo seus próprios erros. Cansada dessa gente que reclama da vida por não ter nada do que reclamar e que olha para o próprio umbigo sem perceber o que acontece a sua volta. Cansada dessa gente que vai embora do nada e que depois volta para bagunçar tudo que arrumei no tempo em que fiquei sozinha. Cansada de ter que engolir sapos para manter a pose de pessoa equilibrada e de fingir que não ligo para que os outros falam de mim. Cansada de saber quem é o culpado e ter que escutar que o culpado sou eu mesma que permito que as coisas aconteçam na minha vida. Cansada de ver olhares tristes nas ruas e não ter coragem de perguntar se está tudo bem ou oferecer algo bom, mesmo que por mais simples que seja o meu gesto. Cansada desse orgulho que criei e do muro que construí para me proteger desse sentimento que congelei pelo fato de estar cansada de tudo isso. Por fim, quero descansar em mim para encontrar aquilo que me traga a paz absoluta, mas é quase impossível quando alguns fatos, mesmo que pequenos aparecem do nada e me obrigam a mudar a direção. É preciso desviar até mesmo das coisas que eu não conheço para me prevenir das coisas que não sei como irão ser, se irão passar em vão ou permanecer.   

Maíra Cintra